terça-feira, 21 de março de 2017


DIA MUNDIAL DA POESIA


A Junta de Freguesia da Estrela e a Carris (carreiras 25E, 28E, 713 e 773) organizam uma “Brigada da Poesia” que percorrerá ruas, jardins, espaços comerciais e carreiras da carris.

 [“A história portuguesa apresenta uma rica e interessante diversidade de poetas cuja obra literária é mundialmente conhecida. Luís de Camões, Fernando Pessoa, António Nobre, Florbela Espanca, José Régio, Natália Correia, Eugénio de Andrade, Cesário Verde, Miguel Torga, Sophia de Mello Breyner Andresen, são alguns dos poetas portugueses mais conhecidos, e é a sua Poesia – tão nossa – que se quererá partilhar com a população da freguesia da Estrela”]

Contrariedades

Eu hoje estou cruel, frenético, exigente;
Nem posso tolerar os livros mais bizarros.
Incrível! Já fumei três maços de cigarros
    Consecutivamente.

Dói-me a cabeça. Abafo uns desesperos mudos:
Tanta depravação nos usos, nos costumes!
Amo, insensatamente, os ácidos, os gumes
    E os ângulos agudos.

Sentei-me à secretária. Ali defronte mora
Uma infeliz, sem peito, os dois pulmões doentes;
Sofre de faltas de ar, morreram-lhe os parentes
    E engoma para fora.

Pobre esqueleto branco entre as nevadas roupas!
Tão lívida! O doutor deixou-a. Mortifica.
Lidando sempre! E deve conta à botica!
    Mal ganha para sopas...

O obstáculo estimula, torna-nos perversos;
Agora sinto-me eu cheio de raivas frias,
Por causa dum jornal me rejeitar, há dias,
    Um folhetim de versos.

Que mau humor! Rasguei uma epopeia morta
No fundo da gaveta. O que produz o estudo?
Mais uma redacção, das que elogiam tudo,
    Me tem fechado a porta.

A crítica segundo o método de Taine
Ignoram-na. Juntei numa fogueira imensa
Muitíssimos papéis inéditos. A Imprensa
    Vale um desdém solene.

Com raras excepções, merece-me o epigrama.
Deu meia-noite; e a paz pela calçada abaixo,
Um sol-e-dó. Chovisca. O populacho
    Diverte-se na lama.

Eu nunca dediquei poemas às fortunas,
Mas sim, por deferência, a amigos ou a artistas.
Independente! Só por isso os jornalistas
    Me negam as colunas.

Receiam que o assinante ingénuo os abandone,
Se forem publicar tais coisas, tais autores.
Arte? Não lhes convém, visto que os seus leitores
    Deliram por Zaccone.

Um prosador qualquer desfruta fama honrosa,
Obtém dinheiro, arranja a sua "coterie";
E a mim, não há questão que mais me contrarie
    Do que escrever em prosa.

A adulaçãao repugna aos sentimento finos;
Eu raramente falo aos nossos literatos,
E apuro-me em lançar originais e exactos,
    Os meus alexandrinos...

E a tísica? Fechada, e com o ferro aceso!
Ignora que a asfixia a combustão das brasas,
Não foge do estendal que lhe humedece as casas,
    E fina-se ao desprezo!

Mantém-se a chá e pão! Antes entrar na cova.
Esvai-se; e todavia, à tarde, fracamente,
Oiço-a cantarolar uma canção plangente
    Duma opereta nova!

Perfeitamente. Vou findar sem azedume.
Quem sabe se depois, eu rico e noutros climas,
Conseguirei reler essas antigas rimas,
    Impressas em volume?

Nas letras eu conheço um campo de manobras;
Emprega-se a "réclame", a intriga, o anúncio, a "blague",
E esta poesia pede um editor que pague
    Todas as minhas obras...

E estou melhor; passou-me a cólera. E a vizinha?
A pobre engomadeira ir-se-á deitar sem ceia?
Vejo-lhe a luz no quarto. Inda trabalha. É feia...
    Que mundo! Coitadinha!


quarta-feira, 15 de março de 2017


& Etc.: Prolegómenos a uma Editora 




"A BNP assinala os 50 anos do número 1 do periódico & etc, suplemento literário do Jornal do Fundão (1967-1971) e magazine cultural autónomo (1973-1974) – um projeto de Vitor Silva Tavares (1937-2015) –, numa exposição documental comissariada por Paulo da Costa Domingos".

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Queen, Too Much Love Will Kill You, Onscreen Lyrics 360p


Colado ao artigo do "El País" e nele citado, de Daniel Mediavilla, em 14.03.2017, "Tres cosas que la ciencia te cuenta sobre el amor y quizá preferirías no saber" (Três coisas que a ciência te conta sobre o amor e que talvez preferisses não saber).

Como introdução à leitura, aqui ficam as três coisas:

1.   El origen de la monogamia está en el miedo y la violência (A origem da monogamia reside no medo e na violência)
2.    La poción del amor puede estar cerca, pero tendrá efectos secundários (A poção do amor pode estar ao alcance mas terá efeitos secundários)
3.    Cuando das un beso te estás sometiendo a un examen (Quando dás um beijo submetes-te a um exame)

E quase acaba assim:

“(…) Cuando unimos nuestros labios a los de la persona deseada, se desprende serotonina, en un proceso que tiene similitudes con el observado en personas con trastorno obsesivo compulsivo, o dopamina, una sustancia adictiva que puede estar detrás del insomnio o la falta de apetito que sufren algunos enemorados (…)”.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Orquestra Jazz de Matosinhos - Serviço Educativo




ORQUESTRA JAZZ DE MATOSINHOS
20 anos



A Orquestra Jazz de Matosinhos, criada em 1999 com o apoio da Câmara Municipal de Matosinhos, é um laboratório permanente. Não esquece a tradição das grandes big bands do passado, mas promove continuamente a criação, a investigação, a divulgação e a formação na área do jazz, cruzando a ambição internacional com o sentido de responsabilidade local.
Constituindo uma autêntica orquestra nacional de jazz, apresenta repertórios de todas as variantes estéticas e de todas as épocas do jazz, assumido-se como um fórum alargado de compositores e músicos, lançando pontes, estabelecendo parcerias e produzindo um repertório nacional específico para big band contemporâneo, versátil e diverso.
Dirigida por Pedro Guedes e Carlos Azevedo, tem colaborado com nomes tão diversos como Maria Schneider, Carla Bley, Lee Konitz, John Hollenbeck, Jim McNeely, Kurt Rosenwinkel, João Paulo Esteves da Silva, Carlos Bica, Ingrid Jensen, Bob Berg, Conrad Herwig, Mark Turner, Rich Perry, Steve Swallow, Gary Valente, Dieter Glawischnig, Stephan Ashbury, Chris Cheek, Ohad Talmor, Joshua Redman, Andy Sheppard, Dee Dee Bridgewater, Maria Rita, Maria João, Mayra Andrade e Manuela Azevedo entre muitos outros.
(…)

A Orquestra desenvolve igualmente, desde 2010, um projeto destinado à criação de um Centro de Alto Rendimento Artístico (CARA) em Matosinhos, promovendo o diálogo entre arte, ciência e tecnologia, designadamente através de projetos multidisciplinares que visem a investigação e desenvolvimento de soluções para a criação, fruição e disseminação de conteúdos criativos. 

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

O CORPO TAMBÉM FALA
CRIANÇAS › TEATRO

M/6 anos




“O Museu Nacional do Teatro é o museu nacional e o grande arquivo das memórias e da História das artes do espectáculo em Portugal. Através das suas colecções, procura desenvolver o conhecimento tanto da história e da situação actual das artes do espectáculo, bem como tratar, conservar preservar, organizar, investigar, documentar e divulgar todas as suas colecções
O Museu está instalado no Palácio Monteiro-Mor, um edifício do século XVIII que foi restaurado e adaptado especificamente para este efeito. Actualmente, a colecção do museu, que começou a ser constituída em 1979, já apresenta perto de 250.000 peças. Estas incluem trajes e adereços de cena, cenários, figurinos, cartazes, programas, discos e partituras e cerca de 120.000 fotografias. Existe também uma biblioteca especializada com 35.000 volumes.
O Museu Nacional do Teatro tem apresentado periodicamente exposições temporárias dedicadas a companhias de teatro, a figuras ligadas ao mundo do espectáculo e a aspectos menos conhecidos do teatro e de todas as actividades das Artes do Espectáculo em geral.”

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017


Currículo para o Século XXI – “Pensar a Matemática"



Conferência Internacional 
A Matemática como objecto de discussão pública “sobre o que deve ser ensinado e como deve ser ensinado”
Lisboa, Centro Cultural de Belém,13 de Janeiro de 2017

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016


TEATRO DA CORNUCÓPIA

43 anos | 126 criações

FIM - 17 de Dezembro de 2016

Recital a partir de textos do poeta francês Guillaume Apollinaire, com a participação de atores e músicos que têm trabalhado com o teatro
Lançamento do 2º volume de Teatro da Cornucópia, Espectáculos de 2002 a 2016



Automne malade 

Automne malade et adoré
Tu mourras quand l’ouragan soufflera dans les roseraies
Quand il aura neigé
Dans les vergers

Pauvre automne
Meurs en blancheur et en richesse
De neige et de fruits mûrs
Au fond du ciel

Des épreviers planent
Sur les nixes nicettes au cheveux verts et naines
Qui n’ont jamais aimé
Aux lisières lointaines

Les cerfs ont bramé
Et que j’aime ô saison que j’aime tes rumeurs
Les fruits tombant sans qu’on les cueille
Le vent et la forêt qui pleurent
Toutes leurs larmes en automne feuile à feuille

Les feuilles
Qu’on foule
Un train
Qui roule
La vie
S’écoule