quinta-feira, 13 de abril de 2017

DiVaM 2017 - 4ª edição


[Dinamização e Valorização dos Monumentos]


“Lugares de Globalização”

DireçãoRegional de Cultura do Algarve – “promover uma dinâmica cultural nos monumentos e aproximar as comunidades do seu património”.

Monumentos integrantes:
Castelo de Paderne

Ruínas Romanas de Milreu
Castelo de Loulé
Castelo de Paderne
Monumentos Megalíticos de Alcalar
Ermida de Nossa Senhora de Guadalupe
Fortaleza de Sagres 
Castelo de Aljezur

Parcerias - 19 associações culturais | municípios algarvios – Albufeira, Aljezur, Faro, Loulé, Portimão e Vila do Bispo | outras entidades


Programa com 7 ciclos temáticos - música, artes performativas, artes visuais, atividades ao ar livre, workshops, palestras.

quarta-feira, 12 de abril de 2017


Eternal Something

Daniel Brandt


reddit place timelapse complete

Tela coletiva de um milhão de pixels com a frequência de um pixel a cada 5/10 minutos.Encontrou-se um resultado ao fim de 72 horas.  

Sem drama

Poucas pessoas gostam de poesia,
embora a maioria,
como é sabido, diga que sim.
É que a  poesia, erva ruim,
cresce sem pedir licença
e não precisa de jardim
para marcar presença.

Vicejando em qualquer lado,
há quem a ponha na lapela
para o encontro aprazado.
Outros mostam-na à janela
no lugar do cortinado.

Mas, sem que nisso haja drama,
raros são decerto aqueles
que a fazem dormir com eles
noite após noite na cama.


terça-feira, 11 de abril de 2017

Yevgeny Yevtushenko Recites Babi Yar


 
18 Julho 1933 – 1 Abril 2017
 

BABI YAR 

Nenhum monumento supera o Babii Yar.
A pedra sepulcural é pura lágrima.
Eu estou com medo.
Eu sou hoje tão remoto
como todo o povo judeu.
Agora vejo-me
como um judeu.
Aqui arrasto-me através do Egipto Antigo.
Aqui eu morro, crucificado, na cruz,
carregando as cicatrizes deixadas pelos pregos.
Sinto-me como
Dreyfus.
O filisteu é simultaneamente o denunciante
e o juiz.
Sou prisioneiro.
Estou cercado.
Perseguido, cuspido e difamado.
Grito,
enquanto deliciosas senhoras decoradas
com os seus laços de Bruxelas
furam-me o rosto com os seus guarda-chuvas.
Vejo-me então
como uma criança novinha em Bialystok.
O sangue escorre, derramado pelos soalhos.
No salão do bar a multidão desperta
para uma medida de vodka e cebola.
Desamparado, levo com uma bota
um pontapé no traseiro.
Em vão suplico por piedade
aos meus carniceiros.
Enquanto isso troçam e disparam,
"Derrotem os judeus. Salvem a Rússia!"
e um caceteiro bate na minha mãe.
Ó meus povos russos!
Eu sei,
vocês são
internacionalistas.
Mas aqueles que têm as mãos sujas
em vão vos retiraram
a pureza do vosso nome.
Eu conheço a bondade da minha terra.
Mas os anti-semitas são vis
e não caem em delíquo.
Intitulam-se orgulhosamente
de "A União dos Povos Russos!"

Eu vi, como
Anne Frank,
os límpidos ramos da Primavera.
E eu amo.
Não preciso de frases vazias.
Necessito apenas
do que descobrimos dentro de nós.
O que mal se pode ver
ou cheirar!
Não nos deixam partir
e é-nos negado o céu!
Contudo podemos abraçar-nos
ternamente
na escuridão de um quarto.
Eles estão chegando?
Não tenham medo.
É o retinir suave
da própria Primavera -
a Primavera já vem a caminho.
Chegando até mim.
Despeçam-se depressa.
Estão quebrando algo debaixo da porta?
Não, é o gelo que se parte...
A erva selvagem murmura sobre Babii Yar.
As árvores olham agourentas
como os verdugos.
Aqui todas as coisas gritam em silêncio,
e, dentro da minha cabeça,
lentamente, sinto-me
transformado em cinza.
E sou eu mesmo
a soltar um berro tronitruante
pelos muitos milhares aqui enterrados.
Eu sou
cada velhinho
aqui abatido a tiros.
Eu sou cada criança
aqui abatida a tiros.
Nada será esquecido
dentro de mim.
Deixem a "Internationale"
trovejar
quando o último anti-semita na terra
for enterrado para sempre.

Não tenho um pingo de sangue judeu.
Mas, na sua raiva insensível
todos os anti-semitas
devem odiar-me agora
como se eu fosse um judeu.
Mas até por essa razão
Eu sou um verdadeiro russo!

in:
http://jornalggn.com.br/noticia/lembremos-do-massacre-de-babi-yar
(Versão portuguesa: JAG)

 

terça-feira, 21 de março de 2017


DIA MUNDIAL DA POESIA


A Junta de Freguesia da Estrela e a Carris (carreiras 25E, 28E, 713 e 773) organizam uma “Brigada da Poesia” que percorrerá ruas, jardins, espaços comerciais e carreiras da carris.

 [“A história portuguesa apresenta uma rica e interessante diversidade de poetas cuja obra literária é mundialmente conhecida. Luís de Camões, Fernando Pessoa, António Nobre, Florbela Espanca, José Régio, Natália Correia, Eugénio de Andrade, Cesário Verde, Miguel Torga, Sophia de Mello Breyner Andresen, são alguns dos poetas portugueses mais conhecidos, e é a sua Poesia – tão nossa – que se quererá partilhar com a população da freguesia da Estrela”]

Contrariedades

Eu hoje estou cruel, frenético, exigente;
Nem posso tolerar os livros mais bizarros.
Incrível! Já fumei três maços de cigarros
    Consecutivamente.

Dói-me a cabeça. Abafo uns desesperos mudos:
Tanta depravação nos usos, nos costumes!
Amo, insensatamente, os ácidos, os gumes
    E os ângulos agudos.

Sentei-me à secretária. Ali defronte mora
Uma infeliz, sem peito, os dois pulmões doentes;
Sofre de faltas de ar, morreram-lhe os parentes
    E engoma para fora.

Pobre esqueleto branco entre as nevadas roupas!
Tão lívida! O doutor deixou-a. Mortifica.
Lidando sempre! E deve conta à botica!
    Mal ganha para sopas...

O obstáculo estimula, torna-nos perversos;
Agora sinto-me eu cheio de raivas frias,
Por causa dum jornal me rejeitar, há dias,
    Um folhetim de versos.

Que mau humor! Rasguei uma epopeia morta
No fundo da gaveta. O que produz o estudo?
Mais uma redacção, das que elogiam tudo,
    Me tem fechado a porta.

A crítica segundo o método de Taine
Ignoram-na. Juntei numa fogueira imensa
Muitíssimos papéis inéditos. A Imprensa
    Vale um desdém solene.

Com raras excepções, merece-me o epigrama.
Deu meia-noite; e a paz pela calçada abaixo,
Um sol-e-dó. Chovisca. O populacho
    Diverte-se na lama.

Eu nunca dediquei poemas às fortunas,
Mas sim, por deferência, a amigos ou a artistas.
Independente! Só por isso os jornalistas
    Me negam as colunas.

Receiam que o assinante ingénuo os abandone,
Se forem publicar tais coisas, tais autores.
Arte? Não lhes convém, visto que os seus leitores
    Deliram por Zaccone.

Um prosador qualquer desfruta fama honrosa,
Obtém dinheiro, arranja a sua "coterie";
E a mim, não há questão que mais me contrarie
    Do que escrever em prosa.

A adulaçãao repugna aos sentimento finos;
Eu raramente falo aos nossos literatos,
E apuro-me em lançar originais e exactos,
    Os meus alexandrinos...

E a tísica? Fechada, e com o ferro aceso!
Ignora que a asfixia a combustão das brasas,
Não foge do estendal que lhe humedece as casas,
    E fina-se ao desprezo!

Mantém-se a chá e pão! Antes entrar na cova.
Esvai-se; e todavia, à tarde, fracamente,
Oiço-a cantarolar uma canção plangente
    Duma opereta nova!

Perfeitamente. Vou findar sem azedume.
Quem sabe se depois, eu rico e noutros climas,
Conseguirei reler essas antigas rimas,
    Impressas em volume?

Nas letras eu conheço um campo de manobras;
Emprega-se a "réclame", a intriga, o anúncio, a "blague",
E esta poesia pede um editor que pague
    Todas as minhas obras...

E estou melhor; passou-me a cólera. E a vizinha?
A pobre engomadeira ir-se-á deitar sem ceia?
Vejo-lhe a luz no quarto. Inda trabalha. É feia...
    Que mundo! Coitadinha!


quarta-feira, 15 de março de 2017


& Etc.: Prolegómenos a uma Editora 




"A BNP assinala os 50 anos do número 1 do periódico & etc, suplemento literário do Jornal do Fundão (1967-1971) e magazine cultural autónomo (1973-1974) – um projeto de Vitor Silva Tavares (1937-2015) –, numa exposição documental comissariada por Paulo da Costa Domingos".

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Queen, Too Much Love Will Kill You, Onscreen Lyrics 360p


Colado ao artigo do "El País" e nele citado, de Daniel Mediavilla, em 14.03.2017, "Tres cosas que la ciencia te cuenta sobre el amor y quizá preferirías no saber" (Três coisas que a ciência te conta sobre o amor e que talvez preferisses não saber).

Como introdução à leitura, aqui ficam as três coisas:

1.   El origen de la monogamia está en el miedo y la violência (A origem da monogamia reside no medo e na violência)
2.    La poción del amor puede estar cerca, pero tendrá efectos secundários (A poção do amor pode estar ao alcance mas terá efeitos secundários)
3.    Cuando das un beso te estás sometiendo a un examen (Quando dás um beijo submetes-te a um exame)

E quase acaba assim:

“(…) Cuando unimos nuestros labios a los de la persona deseada, se desprende serotonina, en un proceso que tiene similitudes con el observado en personas con trastorno obsesivo compulsivo, o dopamina, una sustancia adictiva que puede estar detrás del insomnio o la falta de apetito que sufren algunos enemorados (…)”.